Ah como eu estou meio verde, meio amarelo, sem caminho, com sono, fingindo ser aquilo, aquilo ali que não sei bem o que é. Só sei que é doce, bem docinho, minha língua dança por entre o sabor e o sabor banqueteia-se de minha torpeza e malícia interna e escondida. Viajo pelas nuvens de fel e mergulho em mim mesmo, eu sou eu no corpo de um outro, de um talvez eu. Bem longe daqui estão meus pés, acolá está minha cabeça, meus ouvidos estão por aí, caminho e caminho, tentando me encontrar nos meus pensamentos e na falta deles, um automático ser, indo e vindo todos os dias, numa vida que não escolhi, apesar de ter escolhido, e como escolhi vir para algum lugar, um lugar ao meu lado e ao lado de certos meus, certos eus, quantos tus existem nesta minha trilha... Ah como queria estar lá, bem lá, lá e lá... Quando chegarei, quando? Quando eu disser e firmar o dia exato. Sou a certeza daquilo que tenho. Única.