
Tentarei agradar o Idiota. Deitar-me com a cabeça encostada no travesseiro e não perceber o tempo se esvair pelas areias que o tempo acaba por levar. Adormecer ante o clima abafado, quente e insuportável. Beijar minha testa com a palma da mão e amaldiçoar a região e o quarto por ser tão calorento. O suor escorre, molha todo o meu corpo. Ele só está servindo para ser molhado, encharcado pela água desocupada, aquela que em vez de lavar, suja, suja mais e mais, acumulando uma poça imunda, barrenta, provedora de doenças. Enfermidades perenes. Então, estagno, fico deitado, letárgico ao sabor do som do ventilador, que não pára de girar de um lado para o outro, exercendo seu papel mecânico, sem sentido e com um sentido objetivo.Minhas pernas não se mexem, minha cabeça não gira como a do ventilador, parece que não tenho o mesmo fim insensível. Sou uma máquina quase em desuso, exerci minha função, função que nunca realmente exerci, uma produtiva, feraz diante dos acontecimentos ou feraz demais e incompreensível pela massa estúpida. Não sou mecânico, não sou fisicamente disponível, sou abstrato e real, sou metafísico, surreal. Prefiro o trabalho mental, embora, no momento, não exerça atividade alguma. Fico aqui deitado, um morto-quase-vivo. Um nada de pernas longas, mãos imóveis e cabeça mais imóvel ainda.

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