
Com começo e sem fim. Minha vida? A vida de alguém. Eu olhava o pôr-do-sol tentando sentir a emoção que antes eu sentia quando o via, acho que consegui sentir um pouco de pulso, de sentimentos pulsantes. Uma situação grotesca, estou frio. Sinto o pulsar de um coração gelado. Mas às vezes nem vejo, queria não sentir absolutamente nada. Sentir nada já é sentir, que eu sinta, sinta o nada, somente ele ou ela. É mais confortável sentir o nada. É mais difícil enfrentar a vastidão causticante do nada de uma pessoa do que enfrentar a dimensão destrutiva do verdadeiro nada material. O nada que mais sinto é o nada das pessoas, o vazio que elas carregam em seus corpos pequenos e precários me nauseia. Tenho vontade de estar longe delas, de senti-las distantes e com medo. De vê-las sucumbirem em torpeza sem nenhuma intervenção. Qual o caminho delas? É o caminho delas e assim será, eis a vida do inepto. Não precisam de mim para serem a matéria detestável que são. Ficarei aqui. Longe. Tive um começo e meu fim será unicamente no fim. Não chegarei ao fim mais cedo do que a carruagem do sopro de dor.

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