
Peguei uma rosa com um pé, não sei de quem ele era. Não importava. Eu peguei. Os dedos do pé a enroscam, eu sou o proprietário. O sem escrúpulos Senhor da Rosa, vermelho e o verdugo semelha, eu. A vermelha é forte, vibrante, revela tudo o que se encontra em seu interior, eu a amo vemelha como ela é. Foi a primeira, então a primeira é inesquecível aos olhos de um amante insofrido e insofreável. A rosa continuará no pé. Não tem ato tão cruel quanto tirá-la do pé. Continue, minha Rosa Querida. Seu tempo é o agora, o meu tempo é o que foi. Sou o que foi, a Rosa no pé, sem tirá-la, a contê-la de forma abrupta, eu a detenho como Senhor que sou, que sou o que foi e continua a ser. Sou o senhor do vermelho, vermelho da rosa vermelha, pura e ensopada na pureza do pé, de um pé desconhecido e meu. Rosa minha e do pé, somos dois, somos sem casa, lar, fortaleza, somos fragéis, impotentes. Eu estou aqui, meu pé está em algures, sou sozinho e comigo mesmo, no momento você, Rosa Querida, me faz companhia, me abraça com seus espinhos e mostra-me o sangue vermelho como sua cor para provar-me que ainda continuo a bater as paredes cardíacas desgastadas... Estar aqui, a escrever, escrever os espinhos que me encravam a carne, em nenhum outro lugar, o meu lar.

