
Ver ao longe não consigo. Falta algo que desconheço. Ando por todo o corredor e não chego ao seu fim. As solas de meus sapatos suplicam por descanso. Minhas meias furaram, estão sujas e malcheirosas. Não tenho disposição de parar. De ouvir os gemidos de minha pele cansada ou de meu cérebro semimorto. Ando sem rumo ou em um rumo inconsciente. A única coisa que oiço é aquela chamada intuição, ignorante e estúpida como somente ela pode ser. A intuição é diferente da razão, diziam os meus sapatos. Fecho um olho para ouvir melhor o meu raciocínio débil, lento. Meus cabelos eu não corto, para que se minha preocupação exorbita qualquer mediocridade. Meu corpo físico cansa das reclamações de minha mente exigente. Uma harmonia é necessária para ambos, mas enquanto eu continuar andando neste corredor só encontrarei um caminho desconhecido num labirinto reto e sem curvas, tão complicado e emaranhado por dúvidas que mais fácil seria estar num misterioso labirinto de cercas vivas e de insetos mortos.

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