sexta-feira, 31 de julho de 2009

Feia.



A dor consome cada osso. A frustração pulsa em cada veia. A impotência domina as fibras. Sei da capacidade que me serve, mas meus braços estão em lugar diferente, minhas unhas e dedos foram perdidos em um bordel perto da esquina da rua movimentada. Meus fluídos estão podres, exalam um odor fétido, repulsivo ao meu sensível olfato, insuportável, às vezes tenho vontade de arrancar meu nariz fora. É sim, arrancar o meu nariz fora e não este fluído repugnante. Oras, para continuar sendo displicentemente evitado. Aborreço-me aos poucos com todos e todos me entorpecem de tal maneira que os quero longe. Longe de meu corpo, longe de meus pensamentos e de meu convívio. Isolar-me, é isso o que farei, ninguém gosta de um odor cadavérico, aproveito meu estado e imponho-me. Sou assim e engulam os sapos que quiserem, não fiz nada, sou apenas eu e aqui coloco um ponto em toda a hipocrisia. Tenho pequena quantidade de areia a se jogar, a vida passa rápido e se eu fechar-me a fazer tudo o que os outros desejarem não serei mas eu e sim a mera extensão dos outros. Ah basta! Vivo o que vivo e viverei até esfalfar-me, até eu mesmo dizer: por ora acabou! Caso oposto, estarei a viver-me, nem sei se existe esta situação do verbo, porém é isso, procuro viver-me e um viver-me entusiasticamente.

Aonde estou?


Aonde estou? Meu umbigo dói. Minha cabeça ainda pensa naqueles momentos insignificantes de grandeza, talvez aqueles momentos sejam estes. Sinto-me grande ao escrever, sou um deus de minha própria história, aqui eu digo se será feliz o final ou se não terá final. Por que devo seguir esta dita lógica do início e do final? Posso simplesmente escrever, ser um deus desleixado para com seus fiéis e escrever. Aqui determino tudo e não sou questionado. Ai daquele que me questionar em meu império! Aqui sou o louco, o tirano, o déspota ou o pacificador de almas e corações. Portanto, estou em berço, minhas comparsas são as palavras que se unem e me servem como boas meninas, obedientes e passivas. Corto-me, mato-me, retorno à vida e disso não surtem comentários, nem palavras e nem letras, o Imperador ordena, elas obedecem. Sei onde estou e também não sei onde estou, eu não me conheço e me conheço muito bem para saber que não me conheço. Tenho limites insondados, esquecidos em alguma teia de minha imaginação ou na assustadora inconsciência. Então, não sei ao certo onde estou.

Meus olhos.



Ver ao longe não consigo. Falta algo que desconheço. Ando por todo o corredor e não chego ao seu fim. As solas de meus sapatos suplicam por descanso. Minhas meias furaram, estão sujas e malcheirosas. Não tenho disposição de parar. De ouvir os gemidos de minha pele cansada ou de meu cérebro semimorto. Ando sem rumo ou em um rumo inconsciente. A única coisa que oiço é aquela chamada intuição, ignorante e estúpida como somente ela pode ser. A intuição é diferente da razão, diziam os meus sapatos. Fecho um olho para ouvir melhor o meu raciocínio débil, lento. Meus cabelos eu não corto, para que se minha preocupação exorbita qualquer mediocridade. Meu corpo físico cansa das reclamações de minha mente exigente. Uma harmonia é necessária para ambos, mas enquanto eu continuar andando neste corredor só encontrarei um caminho desconhecido num labirinto reto e sem curvas, tão complicado e emaranhado por dúvidas que mais fácil seria estar num misterioso labirinto de cercas vivas e de insetos mortos.