
A dor consome cada osso. A frustração pulsa em cada veia. A impotência domina as fibras. Sei da capacidade que me serve, mas meus braços estão em lugar diferente, minhas unhas e dedos foram perdidos em um bordel perto da esquina da rua movimentada. Meus fluídos estão podres, exalam um odor fétido, repulsivo ao meu sensível olfato, insuportável, às vezes tenho vontade de arrancar meu nariz fora. É sim, arrancar o meu nariz fora e não este fluído repugnante. Oras, para continuar sendo displicentemente evitado. Aborreço-me aos poucos com todos e todos me entorpecem de tal maneira que os quero longe. Longe de meu corpo, longe de meus pensamentos e de meu convívio. Isolar-me, é isso o que farei, ninguém gosta de um odor cadavérico, aproveito meu estado e imponho-me. Sou assim e engulam os sapos que quiserem, não fiz nada, sou apenas eu e aqui coloco um ponto em toda a hipocrisia. Tenho pequena quantidade de areia a se jogar, a vida passa rápido e se eu fechar-me a fazer tudo o que os outros desejarem não serei mas eu e sim a mera extensão dos outros. Ah basta! Vivo o que vivo e viverei até esfalfar-me, até eu mesmo dizer: por ora acabou! Caso oposto, estarei a viver-me, nem sei se existe esta situação do verbo, porém é isso, procuro viver-me e um viver-me entusiasticamente.


