terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um valor sem valor.



Supérfluo... superficialidade... casca... nada menos que nada e só o fato de qualificar como nada já é conceber um valor, então nada é alguma coisa, é um valor, é mais do que poderia ser... é mais do que o próprio sentido de nada... Nada não deve ser porque se for, será algo, prefiro o nada real, o abstrato, mas o nada. Nada... nada... nenhum... ninguém, nada... Supérfluo... superficial... Não sou todos, sou eu, sou... eu... eu... eu... alguém... um ponto... uma razão... alguma coisa... o todo... o nada...

Sem dúvida.


Quero ser uma formiga. Insignificante. Andar despercebido, quase invisível. Transitar pelos cantos inóspitos e sair firme de lá. Durar pouco, um pouco com qualidade. Frágil? Eu? Realmente sou, neste ponto me equiparo às formigas de forma excelente. Incrível! Olhando bem, talvez eu seja uma formiga, ainda visível, uma formiguinha inocente que é livre e obediente às ordens da Rainha. Visível, a característica que me apavora, poderia ser invisível, despercebido nos trânsitos urbanos, andar por aí, esquecer de mim e das coisas. Ei! Formiga não pode esquecer, tem muitas responsabilidades, originalmente uma serviçal, obediente. Que coisa! Ser uma formiga é difícil... É invisível para os seres maiores, mas aos seus pares ela é visível e até demais. Frustrante... Não posso ser formiga porque eu sou uma... Uma formiga grande e frágil. Uma formiga obesa e obediente.