segunda-feira, 7 de julho de 2008

Perto do Abismo.


Cheguei bem perto do precipício. Meus pés não conseguiram seguir em frente. Um medo angustiante dominava-me. Desejei tanto um mundo e ao final não o alcancei. Desejo tão simples, mas ele se afastou de mim mesmo apinhado pela desesperança. Por que não engajei coragem e enfrentei as minhas maiores covardias? Eu poderia estar em algum mundo, atualmente me encontro divagando no vácuo, sem ar, sem terra, apenas um vazio dilacerante, um eterno estado sorumbático de infindável tortura. Olho para as estrelas, admiro-me com o luzir destes astros, até esqueço da existência, das obrigações, me recibilo ante a beleza inalcançavel pela reles e miserável torpeza de um pobre fâmulo, preso às muralhas de seu fado. Não encontro consolo em nada. Não encontro um mundo em nada. Refugio-me nos livros, viajo e conheço inúmeros mundos, todavia menos o meu.

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