
Quis ter uma Casinha de Pão, doce ilusão de um moço. Quis correr em volta dela de braços abertos tentando usufruir toda a liberdade possível a um ser humano condenado a existir, sentir o vento bater minha face e esquecer o frio que ele causa ao corpo decrépito... Meus pés descalços pisando na grama verde com a mesma petulância que me pisam, esmagando cada detalhe ínfimo de uma matéria degradada pelo tempo lançado ao acaso dos pensamentos soltos. Se me cortarem os pés eu sangro, sangro ousando aproveitar cada instante destemidamente porque se parar para se arrepender deixarei de viver o instante de sofreguidão e cairei em uma reflexão inútil às mentes libertas. Viver dolorosamente, talvez. Viver, correr em volta da Casinha de Pão e afastar os fungos insolentes que a todo custo objetivam a demolição de princípios dos ingredientes constituintes da massa apetitosa. Quis provar do Pão, mudei e resolvi correr. Vamos correr para esquecer, correr para correr dos desnudos algozes do prazer verdadeiro. Correr e refugiar-se na Casinha sem tocá-la, sem desfigurá-la de sua essência. Quis correr. Me amputaram as pernas, eu me arrastei e pintei de vermelho o caminho traçado, mostrei a outrens que fui feito de carne e sou um, único no mundo singular da nuvens sombrias do cúmulo da treva.

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