domingo, 13 de abril de 2008

Deus Frustrado.

Para que ser um deus se eu posso ser um humano? Para que ter infinitos poderes se eu posso tê-los limitados e seguros, longe de minha tresloucada mente? Se eu tivesse poderes ilimitados acabaria por perder o controle deles, um insano descontrolado tende a sair de si... De que me serviria não ser eu? Desejo desarrazoado o de potência elevada... Igualmente desarrazoado é o desejo de não cupidez. O equilíbrio, nem lá, nem cá, no acolá mediano, é o exato. Equilibrar-se unicamente para atingir o fim imediato e mediato de ser um humano, um humano frágil, complexo, admirável em sua espontaneidade, mal em sua preservação de ego. Anseio poderes? Anseio. Quero ser divino? Quiçá, todavia com os pés bem firmes no chão. Mentira caso falasse que não quisesse ser um deus, suprir ao extremo a minha ditatorial vontade, submeter aqueles que me injuriam a honra, humilhar os que me humilharam, pisar nos vermes como um senhor de botas grossas e de borracha. No entanto, não tenho a oportunidade de ser deus, me sacio com a humanidade em sua perversidade, fico aqui no ambiente terreno, impotente, mãos livres e agarradas à esperança de melhora, rindo de minha finitude e da comicidade circunscrita das pessoas que passeiam de fronte à minha janela.

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