quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mademoisèlle Claudia.


A eternidade tem o preço alto da permanência inabalada. O corpo não envelhece, inalterável desenvolve exclusivamente a mentalidade, sendo insuportável a continuação de uma vida, não poder usufruir dos instantes que somente o tempo fornece ao homem mortal. Por um período o imortal delicia-se diante da sua condição até defrontar-se com a esterilidade do prazer provindo do eterno. A limitação fica patente, o existir insossa e os temperos inafastáveis perdem-se. Enfrenta-se uma existência diferente, nada muda, ou começa-se a vê-la fora do imaginário poético da mortalidade frágil. Todos somos uma Claudia, analisamos a imutabilidade de uma vida, renhimos variar e tropeçamos nos obstáculos postos em nossas trilhas. A mortalidade, destarte, não distancia-se da imortalidade, exceto na duração, o desespero subsiste enquanto houver sopro vital a ser consumido.

Nenhum comentário: